segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Vinte anos de sorrisos, lágrimas e muito amor


Então você passa a vida inteira se atropelando com caminhos errados quando a pessoa certa está bem ao seu lado o tempo todo.

Um Dia conta a história de Emma Morley e Dexter Mayhew, dois jovens que se conhecem na noite de formatura e nem podem imaginar o modo como a vida deles estará entrelaçada pelos próximos vinte anos. A narrativa é construída a partir dos acontecimentos de cada aniversário do dia em que eles se conheceram e assim, a cada ano, vamos nos apegando e conhecendo mais e mais os personagens. O enredo é envolvente e divertido, mas tem vezes que bate uma aflição... O livro ganhou em 2011 uma adaptação para o cinema protagonizado por Anne Hathaway e Jim Sturgess (aqueles lindos!), mas eu ainda não assisti porque estava me segurando para ler o livro primeiro.


Dex e Em. Em e Dex. Um daqueles casais que a gente tem vontade de bater na cara deles e gritar "Acordem! Vocês foram feitos um para o outro!", mas eles não saem do campo confortável da grande amizade que eles construíram por insegurança dos dois lados. Os dois são bem diferentes um do outro. Dexter sempre foi aquele cara popular na faculdade, bonitão, charmoso, sempre parecendo uma estrela de cinema com um cigarro na boca e altas doses de álcool. Emma, no entanto, nunca foi muito notada, exceto pela sua inteligência. Ela se acha feia e gorda, mas na verdade não é nada disso. Ela é bonita, mas parece que tem vergonha e não aceita isso. Está sempre enfiada em livros e se formou com duas menções honrosas em seu diploma: inglês e história. Aquela clássica história de que os opostos se atraem. Neste caso eles não só se atraem como se completam. Nada está certo quando estão separados. Eles são melhores juntos.


Dex. Ai, Dex. Sou suspeitíssima para falar, mas já me apaixono só por ser interpretado pelo Jim Sturgess, meu queridinho desde Across The Universe. Imagine, então, ele junto com a Anne Hathaway, minha chará preferida e estupidamente talentosa. Certo, eu ainda não assisti, mas consigo imaginá-los perfeitamente, então conta, não?

Não pude deixar de me ver bastante em Emma. Toda a insegurança sobre o que fazer depois da universidade, tendo que encarar uma vida adulta e responsável pela frente, sem ter certeza do que quer fazer ou no que é boa realmente. Claro que eu ainda não me formei, ainda tenho pelo menos mais dois anos de graduação pela frente, mas mesmo assim já sinto um calafrio na espinha só de pensar no dia em que eu terei que encarar o mundo e dizer "É agora. Aja". Que desespero! Eu ainda não sei o que eu quero ser quando crescer. O que eu vou fazer com um diploma de Jornalismo em mãos e ainda com sonhos de ser bailarina-atriz-musicista-escritora? Só o futuro dirá.


Apesar de todo a identificação com Em e todo o charme de Dex (e Jim) eu digo com toda a fé que não, obrigada, eu não quero um Dexter Mayhew na minha vida. Não quero ter essa sensação de que a minha vida está sempre errada e, o pior de tudo, tendo a escolha certa ao meu lado e não conseguir vê-la. Não quero sempre andar por caminhos alternativos e evitar a via principal. Já avisei para as minhas amigas que se algum dia elas verem algo parecido com Dex e Em, Em e Dex na minha vida, existem duas opções: a) me matem logo de uma vez; b) nos peguem pelos ombros, do jeito que eu gostaria de fazer com Morley-Mayhew, sacudam e gritem "Acordem! Vocês foram feitos um para o outro!".

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

2011, você foi uma graça!

Será que já está muito tarde para fazer uma singela retrospectiva de 2011? Acho que não. Bem, eu não vou contar toda a minha vida nesse ano que passou, mas o que vai rolar agora é um top 5 dos momentos mais importantes, que mais valeram e que contribuíram para fazer de 2011 um ano bem cheio de lindeza.


1. Muvuca na Cumbuca


Mumbuca na o que?

A Muvuca foi a Semana de Comunicação da UFPA e o evento mais lindo que eu já pude vivenciar, e o melhor de tudo, organizar. Tudo foi feito por um grupo de doze estudantes que só aguentaram todos os estresses, as brigas e as reuniões de 12 horas por terem se tornado muito amigos. Foi uma experiência incrível poder trazer gente esperta e inteligente como Luli Radfahrer, Rogério Covaleski, Interney e a nonna Nair Bello para discutir a comunicação em várias dimensões aqui em Belém, num cantinho muitas vezes esquecido do país.

A Muvuca foi realizada entre os dias 11 e 14 de maio e foram quatro dias en-lou-que-ci-dos. Acordar cedo para chegar na Universidade às 7h30 da manhã, passar o dia inteiro correndo de um lado para o outro para arrumar tudo, fazer cobertura pra internet, apresentar as palestras, desarrumar tudo, organizar as coisas paro dia seguinte, fazer balanço, postar cobertura, para então ir dormir e começar tudo de novo na manhã seguinte. Mas, querem saber? Foi simplesmente lindo.

Essa foto foi tirada no momento em que tudo acabou e nós, a (des)organização, nos abraçamos e agradecemos por tudo que deu certo, por tudo o que nós construímos: o evento e a nossa amizade.

Em 2012 a Muvuca está de volta. Esperem só para ver mais um evento lindo.


2. Hamlet - Um espetáculo-depoimento


Crises, crises e mais um pouco de crises. É nisso que dá querer se meter em montar uma obra shakesperiana com uma proposta pós-moderna e um elenco tão pequeno e feminino. O elenco todo era formado por cinco garotas, sendo o próprio Hamlet interpretado por uma: eu. 

Choros, vontade de desistir, medo de não conseguir, pesquisas e leituras para construção de personagem. Foi uma ideia insana, mas que, no final, se mostrou uma experiência muito única e rica. A história do príncipe da Dinamarca e todas as suas inquietações humanas estão agora marcados para sempre na minha vida. Ser ou não ser. Essa sempre será a questão.


 3. Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte II


O fim de uma era. O fim da história que me acompanhara desde os nove anos e que foi responsável, sem dúvida nenhuma, pela pessoa que eu sou hoje (seja quem for). A dor da perda foi tão grande que eu até tirei o blog do hiato infinito em que ele estava e escrevi um post com toda a minha alma, bem aqui.

Hoje, seis meses depois do final épico, eu sei que isso não foi o final de tudo porque, se depender dos fãs e amigos de Harry (e eu me insiro neste grupo com o maior orgulho), a magia nunca vai morrer. Eu vou cuidar  pessoalmente para que isso nunca aconteça. A história do menino magrela de óculos e testa rachada ficará marcado para sempre na minha alma. 


4. Amizade virtual real 


No dia 2 de setembro uma amizade virtual que já vinha sido construída há dois anos finalmente ganhou um encontro pessoal e um abraço de verdade.

Eu conheci a Thamy em 2009, quando nós duas éramos colaboradoras do projeto Tudo de Blog da Revista Capricho. O TDB acabou em 2010, mas a amizade continuou. Conversas sobre livros, filmes, séries, esmaltes, moda, romantismo-thermopoliano e outras coisas mais. Foi muito bom finalmente poder conhecer ela pessoalmente, mesmo que o nosso nada longo encontro não tenha passado de três horas, no aeroporto de Brasília. Eu estava lá, com todas as minhsa olheiras de uma noite mal-dormida, saindo de um voo às 6h da manhã e esperando outro que iria partir às 9h. A Thamy foi lá, acordou cedo e foi passar uma manhã de turista no aeroporto junto comigo. E nós ainda trocamos presentes! Cada uma levou um livro e eu ainda ganhei dois esmaltes!

As três horas foram ótimas e estamos planejando um próximo encontro que, dessa vez, dure mais. Só não sei qual é a viagem que sai primeiro, se é a minha para Brasília ou a dela para Belém. Vamos acompanhar.


5. Intercom - Recife


Sabe todas aquelas amizades lá da Muvuca? Essas e algumas outras mais fortificadas do que nunca nesses oito dias que passei convivendo com eles em Recife. 

Foi o Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação - Intercom, sediado na Universidade Católica de Pernambuco. E lá fomos nós dividir um quarto gigante de albergue, com 11 pessoas dentro e muito amor. Porque nós somos pobres universitários e ninguém tem dinheiro pra ficar pagando hotel na beira da praia em cidade turística. Mas todo esse tempo que passamos juntos foi impagável. Não queria por nada nesse mundo voltar para Belém, para meu trabalho, para meus estudos e para essa vida mais ou menos. No entanto, não tem jeito. A gente volta. Mas a amizade fica cada vez mais forte e necessária, e não tem nada que importe mais no mundo.

Em 2012 tem mais um pouco de Intercom e dessa vez é em Fortaleza. Espero que tenha albergues limpinhos por lá.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

La liberté d'autrefois


Imagem: we♥it
Nadia era livre. Esse sempre fora o seu grande propósito, a sua grande aspiração e o seu grande orgulho. Era livre para fazer o que quisesse.


Ela morava em um apartamento apertado no 5º andar de um prédio sem elevador à la banlieue de Paris. Seus vizinhos eram bêbados e barulhentos, mas isso não era um grande problema visto que ela mesma passava parte do seu tempo em uma mistura de champanhe, rum e absinto.Pagava o aluguel com o que sobrava do dinheiro ganhado em seus trabalhos como modelo e gasto entre roupas e álcool. Cigarros, non. Deixa os dentes amarelados e envelhece a pele. Nadia não poderia se dar a esse luxo. Além do mais, ela nunca aprendera a tragar corretamente, mas ninguém sabia disso. Não que houvesse alguém para saber. Nadia largara a família há muito tempo e nunca se permitiu ter amigos íntimos. Namorados, então, nem se fala. O seu recorde eram três noites.

O grande medo de Nadia era se prender a alguém de alguma forma. Temia não poder ir para qualquer lugar a qualquer hora e tomar qualquer decisão. Não dependia de ninguém. O problema era que essa era uma via de mão dupla. Da mesma forma, ninguém jamais dependera dela. O que Nadia nunca percebera era que ela mesma havia criado o seu maior medo: uma jaula. E essa prisão ficava dentro dela própria, em um lugar extremamente difícil de encontrar a saída, afundada em orgulho e covardia. 

Une femme sans amour c'est comme une fleur sans soleil, ça dépérit.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

You‘re welcome, 2012!


Ano novo e todo mundo promete parar de roer unhas, seguir uma dieta, arrumar um namorado e estudar mais. Eu nunca fui de ficar fazendo mil resoluções (até porque eu sei que não cumpriria metade delas), eu só espero toda vez que o próximo ano seja bom, que eu ganhe muitos presentes e não estou falando apenas materialmente. 2011, por exemplo, foi um ano particularmente ótimo e o grande presente que eu ganhei foram grandes amizades. Tem coisa mais importante?

Esse ano, porém, eu vou quebrar um pouco isso. Além de, claro, desejar um ano melhor ainda que 2011 (que eu tenho certeza que será), dessa vez eu tenho algumas pequenas resoluções e o Veneno de Fada Mordente está entre elas. Eu mal sei explicar o quanto eu senti falta disso aqui, mas eu quero muito ter isso de volta. Até porque eu não quero que o mundo termine e o meu blog esteja largado às traças. 2012, vida nova, blog antigo e amado. E eu tenho certeza que perdi todos os meus leitores, mas isso não importa agora, porque eu vou mesmo começar tudo praticamente do zero. Só não faço outro blog porque eu sou muito apegada sentimentalmente à esse e ao nome dele.

É isso. Feliz 2012. Feliz Veneno de Fada Mordente. Vejo vocês em breve.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Confissões de Capitolina


Doutor Bento Santiago. Meu marido, meu amigo. Bentinho. Tão puro, tão ingênuo e me fazia rir com as suas bobagens.

Jamais esquecerei o nosso primeiro beijo. Éramos tão jovens, mas nos amávamos desde então. Bentinho penteava-me os cabelos. Seus dedos, um tanto quanto atrapalhados, devo dizer, trançavam-me os fios. Então eu me reclinei e ali, mesmo com os cabelos emaranhados, nossos lábios se tocaram pela primeira vez. O quão inocente éramos! Prometemos amor eterno sem ter idéia do que era eternidade. Não que eu tenha me arrependido, nunca! Amei Bentinho e sobre isso não poderia haver nenhuma dúvida!

Porém havia. Bento duvidava do meu amor. Talvez ele nunca tenha acreditado que aquela moça da Rua de Matacavalos teria se apaixonado por ele, mas ela se apaixonou, eu me apaixonei! Mas ele duvidava disso. Parecia que o meu amor nunca era o suficiente. Sempre que me olhava, no fundo Bentinho estava se perguntando se eu era sincera com ele. Mesmo depois de termos nos casado, mesmo depois de termos tido um filho juntos! Como ele pôde duvidar disso? Antes de sermos marido e mulher éramos amigos. Como pôde desconfiar de mim?

Ezequiel, nosso filho. Ezequiel, que de Escobar só tem o nome! E então Bentinho acusou-me de tê-lo traído com o seu melhor amigo, que nem morto pôde descansar em paz, sendo alvo de sua desconfiança. Talvez o problema de Bentinho seja esse: acreditar que ele é o único capaz de amar e confiar, mas que, no final, acaba não fazendo nenhum dos dois.

terça-feira, 26 de julho de 2011

End Of An Era

Quinze de julho de 2011. Fim de uma era.

Como descrever tudo que eu senti na estréia de Harry Potter e as Reliquias da Morte Parte 2, nos dias que a antecederam e nos dias (e na vida toda) depois dela? Não dá, simplesmente. Porque nem eu entendi direito o que aconteceu comigo.

Toda a bipolaridade antes da estréia. Quero que chegue logo, quero que demore mais um ano, quero voltar para 2001 e viver tudo de novo. E fui me preparando, avisando todos da minha hiperatividade incontrolável que viria no dia da estréia (assim como das outras vezes), aceitando que ia desidratar de tanto chorar com tudo que aconteceria nessa segunda parte do filme. E aí veio a surpresa.

Hiperatividade? Que nada. Na fila, começou a cair a ficha de que era o último. A última vez que eu iria sentir aqueles sentimentos. A última chance de sentar no chão do cinema por horas a fio rodeada de amigos para esperar o que esperávamos a meses, mesmo que depois saíssemos todos xingando o roteirista. O último encontro com meus melhores amigos do mundo inteiro, aqueles que cresceram junto comigo e com quem eu aprendi a ser quem eu sou. Quieta, na fila, as lágrimas vieram. E eu abraçava cada amigo que fiz graças à esse mundo. Amigos com quem eu consegui uma amizade tão verdadeira quanto Harry, Rony e Hermione. O fim estava incomodantemente próximo e eu não aguentaria o choque.

Então o rosto de Lord Voldemort apareceu na tela, gigante, sem aviso, e as lágrimas para as quais eu tinha me preparado fugiram. Choque. Sem reação. Sentimentos indefiníveis. As pessoas ao redor choravam, soluçavam, ficavam sem fôlego. E eu ali, olhando para a tela, afundada na poltrona. Como o fim poderia ter chegado? Nenhuma lágrima derramada durante o filme, e depois, só muitos abraços nos amigos potterianos. Não chorar não significava que eu sentia menos, que não doía. Ao contrário, acho que a dor foi tão grande que ficou entalada. E ainda está presa, latente.

Uma vida. E nada mais será o mesmo. Não porque seja um fim, porque não é. Não quero acreditar que seja, não vou deixar que seja e, por isso, não vai ser. A magia sempre vai existir. "Nós perdemos Harry esta noite. Mas ele não se foi. Está aqui, em nossos corações", disse Neville, e sim, ele está. E no meu estará para sempre, em um lugar inantigível, inabalável, insubstituível. Devo quem sou à Joanne Kathleen Rowling. Ela me ensinou muitas coisas que o mundo parecia estar esquecendo, e não só à mim, mas à toda uma geração. O valor e a importância da amizade, lealdade, coragem e, acima de tudo, do amor. Não estranhe se o mundo melhorar, nem que seja só um pouquinho, na próxima década. JK é responsável por uma geração que aprendeu coisas simples, mas importantes, que com certeza devem fazer a diferença.

Harry Potter vai fazer parte de mim para sempre. Sempre terei um sorriso ao lembrar do menino magricela de óculos e testa rachada, da cdf sangue-ruim de cabelo volumoso e do ruivo traidor do sangue, sardento e de vestes de segunda mão. Sempre que eu quiser fugir do mundo terei várias chaves de portais em casa, encontradas em qualquer lugar entre "Sr. e Sra. Dursley eram perfeitamente normais, muito bem, obrigado" e "Tudo estava bem".

Digo com o maior orgulho e felicidade do mundo que, sim, eu acompanhei Harry até o fim. Malfeito feito, sou pottermaníaca até a alma.